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letras de liberdade

Blog com letras minhas e letras das leituras que vou fazendo.

letras de liberdade

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Quantos cachos de uvas são precisos para se fazer uma pipa de vinho, Quantos cestos tem um homem de acartar para ter o dia ganho, são perguntas que me faço ao sentir o esforço hercúleo das gentes que fizeram o Douro. Samuel, chama uma voz, ao fundo, por mim, Senhora, respondo eu, Traz mais baldes para este patamar, pede a mulher. E que mulher! Apesar da idade avançada, tem mais genica que muita juventude; vindima sem parar, fazendo cantar a tesoura a ritmo de caixa acelerado. Qual sinfonia, qual quê! Ao ver a mulher a trabalhar, a vinha transforma-se numa orquestra sinfónica. Estão todos lá: da esquerda para a direita, os violinos, primeiros e segundos; em escadinha e de baixo para cima estão as violas, as madeiras, os metais e a percussão, que é onde eu estou, dando vida ao bombo; por fim, do lado direito estão os violoncelos e os contra-baixos. Começa a peça. Abrimos com Sabre Dance do Khachaturian, os vindimadores são bailarinos e as suas tesouras, sabres. Sabres que desferem golpes fatais na vinha. Assim se dança a vindima.

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