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letras de liberdade

Blog com letras minhas e letras das leituras que vou fazendo.

letras de liberdade

Blog com letras minhas e letras das leituras que vou fazendo.

vaidoso. Reparai nas poças de água que se formam depois de uma valente chuvada. Quando pára de chover, o sol limpa as nuvens, como nós limpamos o espelho embaciado pelo vapor do banho, e fita-se nas poças refletido. Penteia-se. Apara as longas barbas amarelas para não magoar ao dar-nos o beijo radiante de bons dias.

Falta sedentarismo na nossa relação com o tempo. A pressa de ir. A impaciência que chegue o depois. Gente que vive a correr, que vive, literalmente, a correr. O fast-tudo. Gente que se sente refugiada do presente. O presente, esse tirano, que nos obriga a escolher, que traz a picada mais forte das consequências das nossas escolhas passadas. Esse ditador, o presente, que é chuva e eu queria sol; que é trabalho e eu queria férias; que é criança aos berros e eu queria silêncio; que é realidade e eu queria utopia. É o futuro que queremos, o sonho americano, a terra nova, é para lá que queremos ir! Mas quando lá chegamos, ao futuro, afinal ele chama-se presente, esse ditador, que é sol e eu queria chuva; que é férias e eu queria trabalho; que é silêncio e eu queria ter uma criança à minha beira; que é realidade e eu queria utopia.

O nevoeiro teima em não se levantar, deitou-se sobre Provezende e aqui repousa, qual bela adormecida. Príncipe Sebastião, a ti imploramos, volta e beija-lhe os lábios para que essa bela se levante. Enquanto não chegas, ao sol não o vemos há semanas e o gelo instalou-se nas teias de aranha, outrora discretas, mas que hoje saltam à vista e espantam a freguesia. A aranha, danada para a brincadeira, leva à letra aquela história das oportunidades de vida nova e já comprou uns patins de gelo. Ao passo que o nevoeiro não se levantar, será giro vê-la patinar nas suas teias.

Não se promove a paz com armas. Não há exércitos bons e exércitos maus. Toda a guerra é criminosa. O medo gera a necessidade da posse de uma arma. Mas as armas não são objectos de defesa. Elas invadem, exploram, colonizam, mantêm refém, são mães parideiras de refugiados.
Deste modo e como diz Mia Couto no seu Jesusalém: "Nenhuma guerra termina nunca".